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26 de agosto de 2019

Outras falas: feminismos na perspectiva de mulheres negras brasileiras

Autora: Cláudia Pons Cardoso

Resumo:
Esta tese investiga trajetórias de mulheres negras ativistas brasileiras para compreender como as desigualdades de raça, gênero, classe e sexualidade são transformadas em instrumentos para a construção de uma organização própria, espaço de protagonismo e exercício de experiências exitosas no desafio aos poderes constituídos. Explora, ainda, como o discurso feminista é recriado a partir de demandas específicas das mulheres negras. O argumento central está na afirmativa de que as ativistas negras, no Brasil, elaboraram um pensamento feminista próprio à luz de saberes, práticas e experiências históricas de resistência das mulheres negras. Um pensamento feminista crítico alimentado por valores, princípios e cosmovisão organizados a partir de referenciais negro-africanos, que defende a pluralidade epistemológica para revelar a contribuição das mulheres negras em diversas áreas do conhecimento. Um pensamento feminista negro que sustenta uma teoria e uma práxis, visando não só transformar efetivamente a vida das mulheres, mas a própria sociedade, na medida em que se assenta no enfrentamento de estruturas de poder: racismo, sexismo, divisão de classes e heterossexismo. Um pensamento que visa a descolonização do conhecimento, isto é, aposta no desprendimento epistêmico do conhecimento europeu para pensar a própria história a partir de categorias baseadas em nossas experiências de mulheres negras na diáspora. Adoto na tese como lente para ler a realidade sobre a qual as ativistas se voltam, a perspectiva interseccional, lente usada também pelos movimentos de mulheres negras brasileiras para empreender suas ações de intervenção política. A categoria se mostra útil para o reconhecimento do modo como diferentes eixos de opressão se configuram, produzindo desigualdades e situações adversas de múltiplas discriminações a grupos específicos de mulheres, como as mulheres negras. Utilizo como orientação teórico-metodológica a História Oral para recuperar e registrar os depoimentos de 22 ativistas integrantes dos movimentos de mulheres negras brasileiras, obtidos por intermédio de entrevistas. Na História Oral opto por entrevistas de história de vida realizadas de forma a revelar a relação entre a história social e trajetória individual de cada depoente e assim entender como construíram suas identidades a partir de referências de gênero, raça/etnia, sexualidade, religião, entre outros, tendo por cenário os acontecimentos da sociedade brasileira.

Ano da publicação: 2012

Publicado em/por: PPG Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismos - Tese - Universidade Federal da Bahia

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Sapatos tem sexo? Metáforas de gênero em lésbicas de baixa renda, negras, no nordeste do Brasil

Autora: Gilberta Santos Soares

Resumo:

A presente tese busca compreender a produção de sentidos e subjetividades na intersecção da vivência da lesbianidade em mulheres de idades variadas, de camadas urbanas de baixa renda, negras, no Nordeste do Brasil. A incursão no campo de pesquisa delineou o objeto de estudo em busca de compreender as injunções entre identidade de gênero, identidade sexual, desejo e práticas sexuais na experiência de mulheres lésbicas masculinizadas. Teve como base as teorias de gênero e da sexualidade postuladas a partir da desconstrução das identidades fixas, da crítica ao binarismo e que consideram a heteronormatividade como categoria de análise. O contato com as interlocutoras deu-se através do Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes (GAMI), organização não governamental (ONG), de lésbicas e bissexuais do Rio Grande do Norte (RN), localizadas na Zona Norte de Natal. A metodologia do estudo foi qualitativa, inspirada no método da etnografia, combinando as técnicas de observação participante seguida de entrevistas em profundidade. Os resultados do estudo apontaram variações de configurações do masculino e do feminino que compõem expressões identitárias de gênero instáveis e construídas a partir de performances de gênero. A pluralidade de expressões de masculinidade foi encontrada, assim como a constatação de que a subversão e a reprodução das convenções sociais que instituem padrões hegemônicos alimentados no androcentrismo e na heteronormatividade existem nas experiências do grupo estudado. A masculinidade nessas mulheres foi produzida através de ferramentas ou tecnologias de gênero que as interlocutoras chamaram de estilo, estilos corporais mediados pela vestimenta. A lésbica masculina performatiza um estilo bofe que é produzido em representações cotidianas, sem que haja desejo de alteração do sexo. As interlocutoras se depararam com instrumentos de normalização de regimes de poder cujos efeitos foram a produção da abjeção. Nesse contexto, estratégias de resistência foram acionadas, com confrontos, silêncios, malemolência, negociações, formas de existência. Foi identificada a necessidade de estudos, com enfoque feminista, que problematizem as categorias feminino e masculino, na composição das identidades de gênero, imbricadas com as identidades sexuais.

Ano da publicação: 2017


Publicado por/em: PPGNEIM - Tese - Universidade Federal da Bahia

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7 de agosto de 2019

Letramento e tradução no espelho de Oxum: teoria lésbica negra em auto/re/conhecimentos

Autora: Tatiana Nascimento dos Santos

Resumo:
A baixa tradução de feministas lésbicas negras no Brasil me leva a traduzir Audre Lorde, Uses of the erotic: the erotic as power e Poetry is not a luxury; Cheryl Clarke, Intimacy no luxury e We are everywhere; e Doris Davenport, Black lesbians in academia: visible invisibility. Primeiro discuto a importância desses textos para a formação ativista, intelectual e subjetiva de ativistas negras lésbicas em formação acadêmica. Penso tradução como política de letramento lésbico negro feminista. Daí, analiso as traduções com Barbara Godard e Sonia Alvarez, que pensam escrita e tradução feminista como transformação crítica do falogocentrismo e tráfico epistêmico na diáspora afro-latino-americana. Logo, miro a poesia como episteme cara à diáspora afro-americana; e me volto à mito-metáfora do caso entre Oxum e Iansã para pensar esses textos como pedagogias textuais/sexuais ancestrais da lesbiandade negra diaspórica. Por fim, vejo Oxum e seu espelho, o abebé, como modelo de autoconhecimento que chama uma mirada para dentro, para si. Junto à genealogia matrilinear de Pilar Godayol, o abebé surge como metáfora de teorias lésbicas negras e suas traduções compartilhadas pela palavra na diáspora afro-americana, em que o texto de uma outra permite o mergulho em mim mesma para mais sentir minha própria lesbiandade negra.

Ano da publicação: 2014

Publicado por/em: PPG em Estudos da Tradução - Tese - Universidade Federal de Santa Catarina

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14 de maio de 2019

Como viver uma boa vida? Narrativas lésbicas sobre retrocessos no cenário político brasileiro atual e outras possibilidades

Autora: Leandra Sobral Oliveira

Resumo: 
O principal objetivo deste trabalho é analisar o campo das lesbianidades a partir do seu entrecruzamento com transformações sociais e políticas vivenciadas no Brasil, em especial na segunda metade da última década (2015 - 2019). Busca realizar uma articulação entre as vivências da mulher lésbica no momento histórico marcado pela transição governamental de 2018, no complexo tensionamento de avanços, retrocessos e outras possibilidades de enfrentamento de uma existência ainda significativamente invisibilizada. Neste percurso de pesquisa/investigação, torna-se inevitável a presença de alguns analisadores, entre eles o próprio conceito de gênero, as especificidades das lesbianidades dentro da ampla temática LGBT, as Epistemologias Feministas, as transições no cenário político contemporâneo, o avanço do fundamentalismo religioso e a necessidade de valorização das narrativas autorais que ampliem o campo das lesbianidades a partir das falas das próprias lésbicas sobre quem são, seus espaços de circulação, vulnerabilidades e expectativas. Se por um lado as entrevistas realizadas em três diferentes momentos do processo eleitoral/político (setembro de 2018; março de 2019 e dezembro de 2019) - utilizadas como uma das estratégias de análise reflexiva desta pesquisa de doutorado - apontaram para um cenário restritivo ao pleno exercício das lesbianidades plurais, por outro lado revelaram potentes vias de construção de alianças nas quais o desejo pela superação dos retrocessos atuais se mostra cada vez mais inevitável.

Ano da publicação: 2020

Publicado por/em: PPG em Psicologia Social - Tese - Universidade do Estado do Rio de
Janeiro

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