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26 de agosto de 2019

Sapatos tem sexo? Metáforas de gênero em lésbicas de baixa renda, negras, no nordeste do Brasil

Autora: Gilberta Santos Soares

Resumo:

A presente tese busca compreender a produção de sentidos e subjetividades na intersecção da vivência da lesbianidade em mulheres de idades variadas, de camadas urbanas de baixa renda, negras, no Nordeste do Brasil. A incursão no campo de pesquisa delineou o objeto de estudo em busca de compreender as injunções entre identidade de gênero, identidade sexual, desejo e práticas sexuais na experiência de mulheres lésbicas masculinizadas. Teve como base as teorias de gênero e da sexualidade postuladas a partir da desconstrução das identidades fixas, da crítica ao binarismo e que consideram a heteronormatividade como categoria de análise. O contato com as interlocutoras deu-se através do Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes (GAMI), organização não governamental (ONG), de lésbicas e bissexuais do Rio Grande do Norte (RN), localizadas na Zona Norte de Natal. A metodologia do estudo foi qualitativa, inspirada no método da etnografia, combinando as técnicas de observação participante seguida de entrevistas em profundidade. Os resultados do estudo apontaram variações de configurações do masculino e do feminino que compõem expressões identitárias de gênero instáveis e construídas a partir de performances de gênero. A pluralidade de expressões de masculinidade foi encontrada, assim como a constatação de que a subversão e a reprodução das convenções sociais que instituem padrões hegemônicos alimentados no androcentrismo e na heteronormatividade existem nas experiências do grupo estudado. A masculinidade nessas mulheres foi produzida através de ferramentas ou tecnologias de gênero que as interlocutoras chamaram de estilo, estilos corporais mediados pela vestimenta. A lésbica masculina performatiza um estilo bofe que é produzido em representações cotidianas, sem que haja desejo de alteração do sexo. As interlocutoras se depararam com instrumentos de normalização de regimes de poder cujos efeitos foram a produção da abjeção. Nesse contexto, estratégias de resistência foram acionadas, com confrontos, silêncios, malemolência, negociações, formas de existência. Foi identificada a necessidade de estudos, com enfoque feminista, que problematizem as categorias feminino e masculino, na composição das identidades de gênero, imbricadas com as identidades sexuais.

Ano da publicação: 2017


Publicado por/em: PPGNEIM - Tese - Universidade Federal da Bahia

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2 de julho de 2019

Entre Mulheres: estudo etnográfico sobre a constituição da parceria homoerótica feminina em segmentos médios na cidade de Porto Alegre - RS

Autora: Nádia Elisa Meinerz

Resumo: 
Nesta dissertação, são analisadas as práticas e significados sociais envolvidos na constituição da parceria homoerótica entre mulheres pertencentes aos segmentos médios da população, na cidade de Porto Alegre. A partir da abordagem etnográfica, o trabalho discute a compreensão da homossexualidade feminina explorando as diferentes formas de vivenciar as experiências sexuais e afetivas. A análise dos espaços de sociabilidade demonstra que o par homoerótico se estabelece em meio à conformação de estilo de vida, compartilhado pelas redes de relações nas quais as mulheres estão inseridas. A busca de parceiras, orientada pelo “gosto de classe”, informa sobre o tipo de feminino valorizado, que pode ser sintetizado na expressão: nem caminhoneira e nem perua. O processo de construção da feminilidade, que se dá entre mulheres, é pautado, ao mesmo tempo, pela repetição e pela subversão das expectativas de gênero. As narrativas sobre as histórias da parceria que compõem a trajetória sexual e afetiva das participantes da pesquisa apresentam os valores e significados atribuídos pelas mulheres às suas práticas sexuais. A pesquisa demonstra ainda que a constituição da parceria está relacionada a diferentes formas de enunciação das relações homoeróticas, que vão desde a ênfase em dar visibilidade como estratégia política, até a posição de não deixar a homossexualidade estampada na cara. A escolha pela forma de enunciação da homossexualidade pode ser interpretada segundo diferentes concepções de individualismo que são discutidas em relação à constituição da parceria sexual e afetiva entre mulheres.

Ano da publicação: 2005

Publicado por/em: PPG em Antropologia Social - Dissertação - Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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