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4 de outubro de 2019

Sapatão é revolução: Censura, erotismo e pornografia na obra de Cassandra Rios

Autora: Claudiana Gois Santos

Resumo:
Um panteão de prostitutas, adúlteras, ninfetas e devassas lésbicas de toda ordem tem sido utilizado no leito da literatura “para ler com apenas uma das mãos”. Nota-se nesse tipo de narrativa o tom transgressivo que na história recente brasileira foi tomado como afronta à imposição de uma rígida moral por parte dos militares que estavam no poder. Considerada como uma das escritoras que mais evidenciou protagonistas lésbicas na literatura brasileira, Cassandra Rios tem uma vasta obra desconsiderada por parte da crítica canônica, relegando-a à subliteratura. Outra parcela da crítica enxerga suas obras como propagação de um discurso moralista a respeito da homoafetividade feminina. O consenso da crítica encontra-se apenas no fato de sua obra ser repleta de elementos eróticos e/ou pornográficos. Devido à grande produção da autora, o enfoque deste trabalho incidirá sobre as publicações do período entre 1964 e 1985, quando o estado brasileiro sofreu um golpe militar, que culminou em mudanças políticas e sociais e interferiu na produção artística e intelectual nacional. O presente artigo pretende discutir como Cassandra Rios, por meio de um discurso aparentemente popular, conseguia levar a um grande número de leitores questões sobre a subjetividade de uma parcela da população estigmatizada durante um tempo de censura rígida da produção literária.

Ano da publicação: 2017

Publicado por/em: Revista Periódicus

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26 de agosto de 2019

Meta(na)morfoses lésbicas em Cassandra Rios

Autora: Ramayana Lira

Resumo:

A literatura de Cassandra Rios, cuja posição no cânone da produção brasileira é marginal, pode ser compreendida como um campo de batalha de forças que tanto constroem como fazem ruir a ideia de um ser lésbica como algo estável. Se, por um lado, há uma tentativa de legitimar esse modo de vida, por outro, uma escrita mais sutil, subterrânea e errática, desestabiliza essa legitimidade em nome de uma fluidez subjetiva que posterga a definição de uma identidade, ao trazer à tona uma série de transformações, linguísticas e diegéticas que propõem múltiplas formas de existência.

Ano da publicação: 2013


Publicado por/em: Revista Estudos Feministas

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A noite tem mais luzes: considerações sobre a representação do desejo lésbico no romance de Cassandra Rios

Autora: Mariana Souza Paim

Resumo:
Este estudo analisa as representações da homossexualidade feminina no romance A noite tem mais luzes (1968), de autoria da escritora paulista Cassandra Rios. A produção literária de Cassandra é permeada pela existência da temática lésbica sendo considerada uma das primeiras escritoras brasileiras a garantir a existência de personagens homossexuais enquanto protagonistas de seus romances. Sua obra se constitui, pois, numa fonte singular para a compreensão da exposição do desejo homossexual feminino no contexto brasileiro da década de 1960. Nesse sentido, acompanhamos a trajetória da protagonista Pascale analisando a identidade lésbica que é problematizada através da personagem, buscamos assim estabelecer um diálogo entre textos teóricos e cenas da narrativa que expõem os discursos sobre a identidade lésbica no romance. Aqui, também se investiga como são vivenciados e construídos os papéis sexuais tidos como sexualmente ―desviantes‖, numa busca de se entender a dinâmica das relações de gênero que perpassam essas construções. Busca-se, ainda, perceber quais são os espaços de circulação e vivência desses sujeitos. A perspectiva de análise adotada permite situar a pesquisa no campo dos estudos pós-estruturalistas, sendo referenciada por teóricos como Michel Foucault (1967; 1996; 2012); Judith Butler (2014); Stuart Hall (2003; 2006), dentre outros teóricos que estudam a questão da identidade. A partir da análise da obra é possível perceber as constantes trocas e mecanismos que permeiam o jogo da identificação e visibilidade, evidenciando os conflitos e questionamentos subjetivos a tal processo e evidenciando-o, sobretudo, enquanto construção histórica.

Ano da publicação: 2014

Publicado por/em: PPG Estudos Literários - Dissertação - Universidade Estadual de Feira de Santana

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